26/01/2012

Liberdade ou como pensar dói muito

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


Fernando Pessoa

Pensar dói. Pensar custa. Porque é que penso? Porque é que não posso simplesmente não saber, não estar, não ser? Será possível que me concedam a dádiva de existir um dia sem tudo o que me inquieta, me insatisfaz? Será possível, Fernando? Eu sei que não meu caro amigo! Sei que no calor frio da noite tu estás desse lado e percebes tudo o que peço e reclamo. Desce daí parvo. Desce daí estúpido. Não fujas! Vem para aqui e ajuda-me. Ajuda-me a dizer a todos aquilo que gritamos. Ajuda-me, ordeno-te!



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